SANTA CABRA
(Raquel Lettich)
aturdido numa noite
nanquim
temerário ao som da cratera
murmuro ao demônio na sombra
'bendita esta cabra que dorme!'
bendigo seu alvo manto
meu escudo contra o frio carcereiro
ávido, lambo a santa poça
regozijo com o leite morno
com o qual me nutre
e me mantém vivo
maldigo o demônio
o frio que me dá
se aproxima a sombra que dança
os olhos rubros sorriem
o escuro do couro
é pouco mais negro
que as rochas na noite
sua adaga é garra fina
dilacera o ventre
daquela santa
santa criatura
finda salvadora
a cratera estremece com incrível sina
a santa cabra e o demônio de fogo
luz e labareda que guardam meu sono
POEMA: Giovana Cristina Bastos (axolote1.blogspot.com)
ARTE (nanquim e colagem): Raquel Lettich


eu não sei se teria essa coragem!
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