HORA DO RUSH
Arrotando veneno, a mulher vermelha.
Rechonchuda e vermelhinha, boa tarde! Vai dando braçada contra a maré, a boiada. Cheiro de metrô infesta a gente. Hoje vive em você um reino inimaginável de milhões e zilhões de cidadãozinhos unicelulares. Eles também te dão boa tarde. Vermelhinha e brilhante, lustrosa, suando bicas na selva de pedra, uma boa tarde pra você. Uma boa tarde pra você, quem diz é o Carlos Tramontina. Mas ela vai desembestada, pisoteia os panfletinhos. Tem olho mirrado, um é de peixe e o outro de boi. A boca, pega no pulo pra fora da cara, acabou presa num esgar, morreu seca e raquítica. Zás que no Whatsapp o anjo de glitter faz suas preces de boa tarde. Vá depressa, suba, rubra da blusa vermelha. O cafézinho, hmmmm, tem fome, baba. Chegar em casa e matar três pães com requeijão, café com leite. A hora sagrada, a hora sagrada, a hora sagrada. Não vou nem na missa, rezar é comer. As coisas vivas do corpo virando você. Seu suor que é o suor do banco, que é o suor do vagão, que é o suor da estação, que é o suor do mundo. Se chove cai é podre, o lixo revira na lama e no rio de lixo. E ainda há suor. Vai bem correndo, a vermelhinha. Corre que é hora do rush.


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