VIGA

Ela pegou as minhas mãos nas rugas das suas e disse: o homem me amou tanto que me construiu uma casa! No primeiro dia da nossa primeira casa: lá estava eu, de mala e cuia. Assim era a casa do meu amor: paredes todas tortas. O alicerce não prestava. O ângulo do chão tinha declives de montanha. Não dei nem uma semana para as telhas. O terreno era pequeno, a vizinhança era deserta. O mato estava alto, o solo era seco, não daria flor. Deus sabe dos ratos que eu vi. Mas era a casa do meu amor. Eu vivi 50 anos na casa do meu amor. Eu perguntei se a casa nunca melhorou. Ela disse que não. Disse que nunca prosperou. Foi ali que abdiquei de tudo.
(Giovana Cristina)

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