O PARASITA



o parasita
chaga impura
tanto profana
a sacra planta
de meus pé
grito em seu ouvido
o silêncio do céu

demônio elétrico
babel titã
do punho de aço
e ossada metálica

o hóspede imprevisto
colosso da meia-noite

drena canos
cantos 
e assentos

à ponta da mesa
veste manto escatológico
- anuncia:

o homem dos fundos
e a corte de insetos
faz de meu reino
carcosa
no horror de abismos verdes
ou lama amarela
ou verde de merda
ou vermelho-medo
ou rubro de sangue

sobre o tampo de madeira
seu facão prateado do aço e rubro do sangue
de algum parente
de algum amado

um braço compõe o banquete
admiro a geometria do dente
que produz a cratera
do espetáculo de um úmero exposto

sons agudos cortam o silêncio estático
tomada pela dor da empatia, procuro
mas meus gritos são meus

súbito reluz cruel o semblante da criatura
o que me impele à fuga
por labirinto atroz no qual me retém

inquilino-rei, força motriz infectuosa

suprassumo do infinito e retroativo auto-consumo

(Giovana Cristina)

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